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	<title>traduzindo sentimentos em palavras...</title>
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		<title>traduzindo sentimentos em palavras...</title>
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		<title>NOS MUDAMOS!</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Dec 2010 14:35:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá Leitores! Bem, serei breve nesse recadinho para não tomar mais tempo antes das novidades: Vamos mudar de endereço! O WordPress.com era um excelente servidor quando eu não tinha tempo para edição, mas com forme fora passando o tempo, ele acabou se tornando limitado demais para as minhas idéias aqui no blog, então, decide migrar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=280&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Olá Leitores!</strong></p>
<p>Bem, serei breve nesse recadinho para não tomar mais tempo antes das novidades: Vamos mudar de endereço!</p>
<p>O <em>WordPress.com</em> era um excelente servidor quando eu não tinha tempo para edição, mas com forme fora passando o tempo, ele acabou se tornando limitado demais para as minhas idéias aqui no blog, então, decide migrar <strong>todo o conteúdo deste blog para outro servidor</strong>, <strong><em>o Blogger</em></strong>, com quem já lido há 3 anos em outros blogs. O novo endereço está abaixo e expalhado por todo o blog e se eu fosse você correria lá, tem uma novidade incrível!</p>
<p>Nos vemos por lá,</p>
<p>Beijos,</p>
<p>Ilzy Sousa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align:center;"><em><strong>NOVO ENDEREÇO DO BLOG:</strong></em></p>
</blockquote>
<p>http://ilzysousa.blogspot.com/</p>
<p>http://ilzysousa.blogspot.com/</p>
<p>http://ilzysousa.blogspot.com/</p>
<p>http://ilzysousa.blogspot.com/</p>
<p>http://ilzysousa.blogspot.com/</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/280/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=280&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Você sabe Voar?</title>
		<link>http://ilzysousa.wordpress.com/2010/11/18/voce-sabe-voar/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 23:51:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando abriu a porta, não pode evitar abrir um sorriso também. Vê-la sorrir por todos os poros sempre o deixava feliz, mesmo que isso aplicar-se dizer vê-la daquela maneira. E lá estava, com uma garrafa na mão e mal se sustentando de pé, apoiando uma das mãos em cada lado da porta. Quanta daquelas já [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=230&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><img class="aligncenter" title="Você sabe voar?" src="http://img816.imageshack.us/img816/3316/flyx.jpg" alt="" width="500" height="375" />Quando abriu a porta, não pode evitar abrir um sorriso também. Vê-la sorrir por todos os poros sempre o deixava feliz, mesmo que isso aplicar-se dizer vê-la daquela maneira. E lá estava, com uma garrafa na mão e mal se sustentando de pé, apoiando uma das mãos em cada lado da porta. Quanta daquelas já havia tomado antes de conseguir subir todos aqueles lances de escada? Ele bem podia vê-la sorrir dos próprios passos incertos daquele bar onde costumava ir até ali, no seu prédio.</p>
<p>Ele podia ver no fundo dos seus olhos quantas tristezas ela havia tentado afogar.</p>
<p>Vestia o seu jeans mais escuro e uma blusa cinza de mangas, com outra preta por cima. Obviamente esquecera o casaco. A maquilagem pesada tão típica contrastava com seus olhos verde-escuro, quase chegando-os. Eles pareciam inchados. Um ar esnobe passado pelo seu nariz toda vez que ela respirava.</p>
<p>Então ela o tocou com o dedo indicador no queixo e entrou. Foi direto para a cozinha, quase caindo em todas as passadas com os saltos altos demais daquela bota estranha e com certeza desconfortável. Abriu a geladeira, apanhou outra garafa e deixou a vazia ali, fechou a porta com o pé e quase caiu nessa proeza.</p>
<p>Depois jogou-se no sofá e sorriu de algo que parecia muito engraçado, dando palmadinhas no lugar ao seu lado. Afinal, quem era mesmo o dono daquele apartamento? Ele assentiu, caminhou até o sofá e sentou-se ao lado da moça embriagada. No mesmo instante, ela deitou a cabeça em seu ombro, observando o mundo de dentro das suas palpebras. Sorriu mais uma vez e disse completamente confiante: &#8211; Eu te disse que um dia ia conseguir me livrar dele! E então pontuou tudo com um soluço que cresceu ao longo das próximas palavras: &#8211; Ele terminou comigo. Denovo, Peter, denovo!</p>
<p>Naquele instante a máscara de força da menina desabou. Ela lançou seus braços ao redor do pescoço do rapaz e cravou suas unhas na camisa dele apertando-a e soluçando muito contra seu peito. Ela procurava desesperadamente por alguma coisa que ele sabia exatamente o que era: proteção.</p>
<p>Peter apertou-a contra seu peito, enquanto suas mãos quentes afagavam a nuca da moça em direção à raiz dos seus longos fios descoloridos e seus lábios fazia um pequeno barulhinho de que era hora de ela ficar bem. Se ela precisava de uma base, ele era a mais sólida de todas.</p>
<p>E então, após muitos soluços, lágrimas e baixos &#8220;porquê ele fez isso comigo?&#8221;, ela finalmente acalmou-se. Levantou a cabeça, mas não os olhos. Ficara olhando o estrago que havia feito com lágrimas e maquilagem preta na camisa dele de um jeito debil e infantil, mordendo as bochechas por dentro. Só então seus olhos vermelhos encontraram a claridade que vinha dos olhos azuis escuros dele. Ele lhe deu um pequeno sorriso como quem dizia que não havia problema e murmurou: &#8211; Hora do banho, Cherrie.</p>
<p>Ele precisou ajudá-la a levantar, retirar suas botas e carregá-la no colo até a porta do banheiro, onde ela tirou a blusa ainda na sua frente e entrou. Ele fechou a porta e recostou-se ali, até sentar-se no chão. Coçou a barba por fazer, fechou um dos punhos com força e desejou apenas uma coisa: Que aquele canalha morrere do jeito mais doloroso do mundo!</p>
<p>Como alguém podia fazer alguém como ela sofrer? De certo Cherrie era uma pesssoa de caracter difícil, arrogante, fria e esnobe, mas, era também uma das mais incríveis que ele já conheceu. E aliás, há quanto tempo se conheciam mesmo? Quase dez anos. Desde aquela vez em que ela desafiou o menino novo da rua à pegar um pedaço da torta da visinha que esfriava na janela. E ele fora pego, e ela assumira toda a culpa. E ele descobriu ali o princípio do maior amor que alimentou por uma pessoa em toda a vida.</p>
<p>A partir daquele momento eles não passaram um dia sequer sem se ver.</p>
<p>Cherrie era a única amiga do tímido menino que se escondia atrás dos óculos de grau forte e do corpo magrelo. Fora ela que o obrigou à ir a academia todos os últimos anos e que lhe disse que nem mesmo o mar mais profundo poderia brilhar mais que os seus olhos, obrigando-o também à usar lentes de contato. Ela o ajudara a deixar a timidez e a arrumar aquele emprego de fotografo no jornal da cidade.</p>
<p>Em troca ela sempre pode se esconder no quarto dele quando bebia demais ou usava algo muito forte e seu pai provavelmente à deserdaria se aparecesse em casa. Ela sabia que mesmo falando as coisas mais frias do mundo, ele sempre atenderia o telefone, não importava à hora da madrugada. E que o abraço dele era o único local em que tudo parecia certo, verdadeiramente.</p>
<p>Sempre fora aquele ciclo entre os dois, até que ela se apaixonou por&#8230; Ele se recusava à pronunciar ou pensar naquele nome. E então noites como esta havia se repetido tantas e<br />
tantas vezes que ele já estava fadigado. Cherrie era a pessoa mais forte que ele conhecia e ele só a viu chorando depois de que ele surgiu.</p>
<p>Ele o odiava com tanto fervor que provavelmente o mataria se o visse em momento como aquele.</p>
<p>Mas, sabia que no fundo só o odiava por ele ter conseguido. Cherrie o amava. Não do jeito como amava a Peter, mas do jeito que ele sempre desejou. Tapa, tapa, tapa. Ele não devia pensar sobre aquilo! Como ousava desejar Cherrie não como uma irmã, como ela o era? Mas, mesmo sabendo disso, era inevitável. Sempre que a via daquela maneira ele sentia vontade de dizer tudo que lhe sufocava a garganta, mas nunca o fez.</p>
<p>Havia muito em jogo para perder com palavras.</p>
<p>Ela saiu do banheiro e quase o derrubou quando abriu a porta. Vestia um daqueles blusões que sempre estavam no banheiro do rapaz e tinha os cabelos molhados umidecendo a parte de trás da blusa. A maquilagem não havia sido totalmente retirada e ficaram ainda alguns resquicios. Os olhos permaneciam vermelhos.</p>
<p>Levantou-se e pegou-a novamente no colo, onde ela aninhou-se próximo ao seu pescoço e ficou quietinha até chegarem a cama. Quando a alcançou, colocou-a delicadamente ali entre os lençóis. Ela parecia realmente cansada ou só abatida pelo sono da embriages. De uma maneira ou de outra, ele sorriu e deu-lhe um beijo de boa noite na testa. E quando já ia pegar alguns lençóis para si, pois aquela era mais uma longa noite para se dormir no sofá, sentiu que não poderia.</p>
<p>As unhas dela estavam cravadas em sua camisa.</p>
<p>Murmurando entre o sono e a lucidez, ela pediu que ele ficasse ali. Completamente inseguro, mas incapaz de lhe dizer não quando ela o olhava daquela maneira, ele deu a volta e deitou-se do outro lado da cama. No mesmo instante, ela virou-se para o lado onde ele estava, deitou a cabeça no braço ele e procurou seu pescoço com a ponta do nariz até o encontrá-lo. Ele podia sentiu o cabelo macio dela em sua bochecha e o cheiro de álcool ainda transpirando.</p>
<p>E ele esperou-a dormir e ficou olhando-a indefesa por muitas horas, até não aguentar mais e também cair num sonho profundo, onde ele era completamente capaz de dizer à ela tudo que sentia e finalmente à teria só para ele.</p>
<p style="text-align:left;">&nbsp;</p>
<p>Acordou com duas piscadelas. Uma luz matinal invadia o quarto de um jeito peculiar, perpendicular à visão da janela. A claridade incomodava os olhos ressacados, porém e na verdade, ela não estava muito consciente disso. Ainda podia sentir aquele calor estranho próximo demais ao seu corpo, mas quando mesmo ele foi parar ali? Aos poucos percebeu as formas. Devagar para não acordá-lo, ela levantou levemente a cabeça, até sentir os jatos leves de ar que vinham do seu nariz.</p>
<p>Porque ela estava dormindo com o Peter?!</p>
<p>Um susto enorme lhe invadiu a mente. Ela reparou rapidamente em seus trajes e percebeu que estava vestida. Suspirou e sentiu um peso enorme na consciencia. Havia bebido tanto que seria capaz de dormir com o melhor amigo? Ela não sabia. Como havia chegado ali? E porque mesmo? E o principal: porque ele não estava dormindo no sofá, mas sim ali, com o braço sobre ela? Não que ela estivesse reclamando é claro&#8230;</p>
<p>A noite anterior só lhe rendia dúvidas.<br />
Preferiu deixar pra lá.</p>
<p>Ela o observou dormindo por mais um tempo. Os olhos azuis escuros dele estavam fechados e a barba por fazer grudava em alguns fios do seu cabelo. Aliás, ele ainda estava meio molhado. Será que ele havia lhe dado um banho? Não, não parecia muito à cara dele.</p>
<p>Só então ela lembrou o porque de ter bebido tanto na noite anterior e uma estranha dor lhe partiu o âmago ao meio. Daquela vez era diferente. Não era só mais uma briga e ele havia levado todas as roupas para o apartamento da outra. Talvez estivesse cansado dela ou de tudo aquilo, e doía muito pensar sobre isso. Mas do que esse dor de cabeça tão gritante! Ela o amara tanto e tudo que recebera em troca era aquela dor?!</p>
<p>Peter suspirou e mexeu-se levemente. E ela sentiu uma coisa estranha dentro de si. Uma espécie de amor, misturado à gratidão e culpa. Como ele podia aguenta-la tantas vezes como haviam sido os últimos tempos? Se ela já era irritante sóbria, bêbada então deveria ser um desterro.</p>
<p>Mas, ele nunca fechava a porta.</p>
<p>Ela sentiu um enorme desejo de beijá-lo naquele instante. Não porque o quisesse de verdade, mas porque estava desesperada por um jeito de agradecer por tudo que ele havia feito todos esses anos. Mas, porque ela o beijaria? Ele era seu irmão e irmãos não beijam irmãos certo?</p>
<p>Errado.</p>
<p>Ela sempre soube como Peter se sentia em relação à tudo aquilo, pois o conhecia melhor que ele mesmo. Mas, sempre preferiu ignorar da mesma maneira que ele ignorava. Não, ela nunca o amou como ele à amava, porém isso não tornava seu amor por ele menor. Ela realmente o amava. Amava como ele à amava e realmente gostaria de amá-lo como ele merecia.</p>
<p>Bem&#8230; Ela poderia tentar.</p>
<p>Ela não tinha absolutamente nada a perder agora e ele merecia, acima de tudo. Ela sorriu para a idéia e abraçou-a do mesmo jeito como ele à abraçava agora. A partir daquele moento, ela o faria feliz, mesmo que para isso precisasse abrir mão do mundo à sua volta. Por ele, valia a pena.</p>
<p>Levantou-se sem acordá-lo e foi até a cozinha, mas, não antes de tomar um banho e dar um jeito naquele ninho que havia se tornado seu cabelo. Preparou alguma coisa &#8211; um café especialmente para sua ressaca &#8211; e sentou-se na mesa. Só então reparou a figura do rapaz recostado na porta da cozinha.</p>
<p>Os cabelos negros despenteados lhe caiam sobre os olhos azuis escuros e ele estava de braços cruzados. Parecia esperar algumas respostas. Ela sorriu para ele do melhor jeito delicado que conseguia enquanto sentia que uma bomba ia explodir a qualquer momento dentro do seu cérebro. Ele não sorriu de volta. Parecia decidido à lhe dar um sermão.</p>
<p>- Cherie&#8230; Começou com uma voz cansada, mas ela desceu da mesa &#8211; rápido demais &#8211; e cambaleou até onde ele estava. Abraçou-o e após alguns minutos sentiu os braços dele em volta do seu corpo. &#8211; O que eu vou fazer com você? Ela pode escutá-lo murmurrar em seu ouvido e sorriu. Ela sabia exatamente o que ele precisava fazer.</p>
<p>- Voar. Ela respondeu, sorrindo à ele. &#8211; Como? Ele respondeu e ela viu uma linda ruga entre os seus olhos. Então, cruzandos seus dedos aos dele, ela o levou até a janela mais próxima. Recostou-o ali, onde os braços dele apertaram com mais força sua cintura. &#8211; O que você está fazendo? E ela sorriu novamente, colocando o dedo indicador nos lábios dele, pedindo silêncio, e recostando seu corpo cada vez mais por cima do dele, entrelançando seus braços ao pescoço dele. Peter permanecia sem entender absolutamente nada.</p>
<p>Então ela o observou pela última vez antes de fechar os olhos e esperar. E ele entendeu o que precisava fazer. Ainda surpreso com tudo aquilo, ele estreitou seus braços ao redor da cintura dela e &#8211; ele mal podia acreditar! &#8211; colocou seus lábios contra os dela, num beijo tão esperado!</p>
<p>No mesmo momento, Cherrie abriu os olhos. Ela observou pela janela e não pode mais sentir os pés do chão, nem mesmo vê-lo e teve a sensação de que estava voando. Os braços dele lhe estreitavam cada vez mais e ele procurava seus lábios do jeito mais puro e sincero que ela já havia experimentado.</p>
<p>Então ela sentiu que poderia voar.<br />
E que gostaria de voar por toda a vida nos lábios e braços dele.<br />
E quem precisava de amor carnal quando se tem tudo isso?<br />
Ela aprenderia a amá-lo não porque seu coração desejasse, mas porque, às vezes, é preciso amar a pessoa certa, não à quem se ama realmente.</p>
<p>Este é o segredo do &#8220;Felizes para Sempre&#8221;.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/230/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/230/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/230/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=230&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>4:10 AM</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2010 04:09:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Piscar de olhos. Os dias que antecedem as chuvas sempre parecem mais quentes. Naquele exato momento, o sol brilhava solitário no imenso céu. Afastava as nuvens, o azul e qualquer outro que ousasse ameaçar sua hegemonia (não que alguém estivesse tentando, é claro). A maioria das pessoas procurava incessante uma sombra, mesmo aquelas compridas dos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=225&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><img class="aligncenter" title="4h10 AM" src="http://img219.imageshack.us/img219/6053/90857638.jpg" alt="" width="400" height="237" /></p>
<p style="text-align:left;">Piscar de olhos.</p>
<p>Os dias que antecedem as chuvas sempre parecem mais quentes. Naquele exato momento, o sol brilhava solitário no imenso céu. Afastava as nuvens, o azul e qualquer outro que ousasse ameaçar sua hegemonia (não que alguém estivesse tentando, é claro).</p>
<p>A maioria das pessoas procurava incessante uma sombra, mesmo aquelas compridas dos postes de iluminação. Uma boa idéia pareceu pairar sobre a cidade: o domingo fora reservado para piqueniques no parque municipal. Na verdade, aquilo não era bem um parque, era só um enclave de uma vegetação que já fora característica da região, mas que agora dava lugar aos imensos prédios cinzentos e à poluição que deixava o sol uma laranja fulmegante se pondo no fim da tarde. Ele caminhava por uma estrada de pedras dentro do parque.</p>
<p>Piscar de olhos novamente.</p>
<p>Como ele fora parar ali mesmo? Talvez tenha sido acometido pela idéia de domingo&#8230; Não sabia, só sabia que lá estava caminhando por uma estradinha de pedras tortuosas entre as árvores grandes de galhos e troncos retorcidos e de folhas quase acicufoliadas, tão pequenas e finas que de longe lembravam leves pinceladas de um bom pintor das margens do Sena. Daqueles de muito talento, mas pouco conhecidos.</p>
<p>Uma grama verde-limão cobria o chão ao longo dos imensos canteiros. Olhando de longe, ela deveria coçar bastante (imagine sentar-se por lá!). Uma ou outra árvore cortava os gramados. Mas apenas uma dentre todas as outras parecia chamativa, era a maior e a mais verde, consequentemente à mais sombreada. Ele sorriu para ela e ela sorriu novamente.</p>
<p>Uma ruga entre os olhos.</p>
<p>Não, a árvore não sorriu, mas sim uma menina. Aliás, ele a conhecia de algum lugar, só não conseguia lembrar de onde (e se ela estava sorrindo chamativa, com certeza o conhecia). Os dedos finos da menina se estenderam no ar, pareciam chamá-lo para lhe fazer companhia. Ele caminhou pela grama sem importar-se agora se coçava ou não.</p>
<p>Quando alcançou o local, pode ver a menina sentada no chão, ainda sorrindo e o observando de baixo com as longas palpebras piscando delicadas, retirando a franja dos olhos para que ela o pudesse ver melhor. Naquele exato momento uma brisa levou os cabelos lisos, negros e curtos dela para trás. Ela também congelou o rosto do rapaz no instante. Ele a conhecia&#8230; Mas não com aqueles trajes.</p>
<p>A maioria das pessoas diria que Jasmin era uma pessoa excêntrica e todos os adjetivos que caracterizam as pessoas que não se adaptam à normalidade mórbida das cidades do interior, mas, até mesmo Jack &#8211; que sempre considerou aquilo muito mais uma qualidade que um defeito &#8211; tinha uma limite. Que diabos ela estava fazendo com um vestido de gala branco, espartilho e bordados no meio do parque, naquele calor?</p>
<p>Engraçado como ninguém parecia notar o quão aquilo era estranho.<br />
Apenas ele.</p>
<p>Mesmo assim, ele tentou sorrir naturalmente. Só então percebeu o desencadear das coisas: suas mãos dentro dos bolsos do jeans estavam pingando de suor. Pela nuca corria uma única gota em direção suas costas e descendo. O coração estava acelerado e a respiração entrecortada e claro ele não parava de balançar-se para frente e para trás em cima dos próprios pés. Ele conseguiria dizer &#8220;Oi&#8221;? Não, não parecia encontrar a voz. Melhor ficar calado.</p>
<p>Porque ele nunca conseguia falar quando ela estava por perto?<br />
Não esqueça de piscar os olhos, Jack!</p>
<p>Só entao ela revelou suas intensões. &#8220;Toque, por favor&#8221;, disse em voz de sinos ao vento, mas num tom que mais parecia dentro da mente do rapaz que uma voz externa. Aliás, as pessoas não deveriam mecher a boca quando falam?! Ele estava lendo os pensamentos dela agora?!</p>
<p>Muito estranho.<br />
Contudo, ele não procurou atentar-se aquilo.<br />
Não ainda.</p>
<p>Uma pedido dela era quase um ultimato para ele. Imediatavamente ele pode sentir um peso conhecido em suas costas. Observou as alças da bolsa do violão que carregava e só então percebeu que ele estava ali. Sorriu como quem concente e sentou-se na grama próximo à ela. Pode vê-la sentar-se mais perto ainda e gostou.</p>
<p>Pegou o violão entre seus dedos, não antes de observá-lo um pouco mais ainda protegido pela bolsa. Como alguma coisa poderia ser mais encantadora que aquele instrumento? As cordas alinhadas, a madeira clara e oca, o som&#8230; Ah, o som! Se algo pudesse ser mais apaixonante que aquilo ele duvidará se um dia o conheceria.</p>
<p>Então olhou para frente e discordou imediatamente do pensamento anterior.</p>
<p>Agora lhe bastava colocá-lo no colo, colocar a mão esquerda onde seus dedos dançariam conforme as notas e a mão esquerda em meio à um abraço ao instrumento e simplismente fechar os olhos. A música era algo que saía dos seus dedos como o CO² sai dos pulmões: naturalmente, involutariamente, vitalmente.  À medida que as notas pediram, ele também conseguiu encontrar a voz perdida em algum lugar da laringe e pois-se a cantar.</p>
<p>Ele ainda arriscou espiá-la por alguns momentos com um dos olhos nela, o olho na música. Ela parecia absorver as notas com as mãos e abraçá-las, sorrindo de olhos fechados. Ele sorriu ante aquilo e continuo tocando por muito tempo.</p>
<p>Até sentir um jato quente e delicado de ar próximo ao seu nariz.</p>
<p>Quando parou de tocar e abriu os olhos, observou dois grandes olhos castanhos próximos demais. Levou um susto, mas não ousou mecher um músculo. Ela o observava de perto e ele tinha certeza de que poderia ver sua alma dali. E se isso fosse verdade, ela também poderia ver o desejo gritante pulsando-lhe o coração.</p>
<p>Então ela sorriu, ela ouviu afinal! Seus lábios rosados se abriram e aproximaram-se do rosto dele ainda mais. Ele podia sentir cada uma de suas veias pulsando como nunca todas as vezes que sentia o ar que vinha da boca dela. Colocou o violão deitado ao lado e pode senti-la aninhando-se entre seus braços, sentando-se no seu colo. Ela sorriu ainda uma vez antes de empurrá-lo um pouco para que ele caisse na grama.</p>
<p>Uma pena que quando ele caiu, tudo havia sumido.</p>
<p>Ele pode sentir uma espécie de centrufuga e abriu os olhos no mesmo instante. Deparou-se com o travesseiro que estava quase lhe sufocando. Nadou entre os lençois bagunçados enquanto sentia o suor grudando todo o pijama em seu corpo. Levantou-se atordoado. Sentou-se na cama enquanto sentia seus dedos quentes contra o chão gelado. Abaixou à cabeça e colocou as mãos ali, até finalmente entender que tudo não passou de um sonho. Engoliu à seco.</p>
<p>Observou com a vista embaçada o despertador digital retangular que marcava 4:10 da manhã com aqueles pontinhos alaranjados fosforecentes. Ele imaginou novamente o corpo da moça entre seus braços e quis explodir. Uma estranha sensação de satisfação lhe fez sorrir. Então ele sentiu perto da perna esquerda um aparelhinho conhecido. Seu celular iluminava uma parte do seu rosto e lá ele observava o papel de parede: Jasmin com o braço sobre seus ombros sorria para a câmera, enquanto ele parecia envergonhado demais até mesmo para isso.</p>
<p>Observou aquilo por um momento e decidiu. Discou o número que nunca atreverá-se a ligar e esperou. Seu coração havia disparado. A chamada caiu. Mas, ele não parou. Na oitava ou nona vez, ele viu que o toque fora interrompido.</p>
<p>Um &#8220;hmm?&#8221; veio do outro lados segundos depois.<br />
- Alô, Jasmin?<br />
- Jack?&#8230;<br />
- É<br />
- &#8230; Sabe que horas são?<br />
- Sei. É que, Jasmin&#8230; Eu queria ouvir a sua voz.</p>
<p>Alguns instantes de silêncio e ela sorriu do outro lado:<br />
- É sempre bom ouvir a sua também, Jack.<br />
- Eu te amo.</p>
<p>Novamente o silêncio.<br />
- Então você pode vir para cá agora?</p>
<p>Depois disso o telefone foi desligado,<br />
Mas não antes de se ouvir um barulho de pneus dançando pela rua.</p>
<p style="text-align:left;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:center;">•••</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Dedicado à</strong> Felipe Matheus.<br />
<em>Obrigada pela inspiração e por acalentar meu coração com a sua voz. </em><br />
<em>Mas, especialmente obrigada por me fazer sentir como me sinto agora.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/225/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=225&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Therese</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Oct 2010 18:25:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava ali tão próximo que facilmente podia sentir a respiração dele queimar-lhe as bochechas, fazendo seu sangue ferrer em cada veia, cada artéria. O relógio bocejou. Parecia que não estava querendo passar o próximo minuto, o tão esperado próximo minuto. As mãos dele ainda faziam seus dedos dançarem por entre os dele como nos últimos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=215&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://whi.s3.prod.lg1x8.simplecdn.net/images/2635824/evamendesWmag2_large.jpg?1276855991"><img src="http://whi.s3.prod.lg1x8.simplecdn.net/images/2635824/evamendesWmag2_large.jpg?1276855991" alt="" title="..." width="400" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-207" /></a></p>
<p>Estava ali tão próximo que facilmente podia sentir a respiração dele queimar-lhe as bochechas, fazendo seu sangue ferrer em cada veia, cada artéria. O relógio bocejou. Parecia que não estava querendo passar o próximo minuto, o tão esperado próximo minuto. </p>
<p>As mãos dele ainda faziam seus dedos dançarem por entre os dele como nos últimos tempos em que se conheceram. Mania prazerosa essa. Mas agora parecia lhe ajudar a decidir alguma coisa, enquanto seus olhos verdes-bruxuleantes naquela meia-luz observavam a dança. Então ele decidiu, voltando o mar verde numa onda à ela. </p>
<p>Os olhos castanhos-latinos dela esperavam ansiosos. Ele não disse nada, e ela agradeceu. Ele simplesmente o fez. Segurou-lhe firme pelo queixo e a puxou para o campo magnético que tinha ao redor de si &#8211; do qual ela nunca conseguiu fugir.</p>
<p>Beijou-a, como a quem beija o amor de sua vida. E talvez ela o era. Ela realmente gostaria de acreditar que o era. Ela lhe puxou pela cama onde estavam sentados. O dorsel caia ao lado, a iluminação perfeita. A bagunça ao redor era quase perfeita, ventilador do teto era pregiçoso na medida certa. O melhor ângulos dos dois. Tudo feito para ser eternizado. </p>
<p>- E&#8230; Corta! Disse o sotaque francês do Diretor. &#8211; Ótimo Therese e Henry, Meus Parabéns! Ele parecia tão animado com as imagens que tinha que mal olhou a bagunça que se fez na equipe. Era a última cena a ser gravada e tinha ficado perfeita de primeira, todos aplaudiam animados. Henry saiu de cima de Therese e sorriu calorosamente olhando a nos olhos, ainda por dois minutos. Todos estavam animado, ele deu um soco no ar e contentamento. </p>
<p>A única que não parecia nem um pouco alegre era Therese.<br />
E ela tinha motivos.</p>
<p>Levantou-se da cama sem fazer barulho. Recebeu parabéns por onde passou. Tapinhas nas costas. Sorrisos abertos. Apertos de mão. &#8220;Ela foi incrível!Melhor atuação de todas&#8230;&#8221; escutou a camareira comentar com a maquiadora. Não teve uma reação sequer a nenhum deles. Tudo que queria era achar o corredor.</p>
<p>E o encontrou. Frio em suas paredes de metal, barulhento pelo bater dos seus saltos apressados. No final dele, já estava correndo. &#8220;Não vou chorar, não vou chorar!&#8221; Ele dizia para si mesma, embora soubesse que não era tão forte assim. Encontrou uma porta conhecida e bateu-a atrás de si com tamanha força que uma estrela dourada caiu no chão. Quando parou de tremer, lia-se seu sobrenome, depois o nome. </p>
<p>Costume americano.<br />
Malditos costumes americanos!<br />
Malditos americanos e seus olhos verdes bruxuleantes à meia luz!</p>
<p>Observou as luzes quentes do camarim ao redor do seu espelho, observou a própria imagem e quiz cuspir. Em todos aqueles anos, o trabalho sempre lhe foi uma paixão. Aquilo que lhe completava o vazio de todos nós. E bastou dizer sim ao que lhe parecia o melhor de todos, para que tudo desmoronasse.</p>
<p>Ele não era especial, nem um bom ator, apenas um rosto marcado e dos ombros largos definidos. Tinha a maldita mania de não decorar as falas e de flertar com as camareiras e maquiladoras, e qualquer outra que usasse saias. E era perfeitamente apaixonante com aquele sorriso torto de covinhas e ar de quem irá esvair-se com a fumaça ao redor dos estúdios. </p>
<p>Completamente apaixonante.</p>
<p>&#8220;Maldito seja!&#8221; Ela gritou em sua mente, antes de sentir aquela dor incômoda no fim da garganta das garotas fortes que não choram. Sentiu o gosto de lágrima bem lá no fundo. Era por ali que ela costumava chorar. Garotas fortes não choram pelos olhos. Observou novamente o reflexo de si mesma, e sentiu nojo de sentir toda aquela explosão dentro de si apenas de imaginar os últimos minutos.</p>
<p>Tudo que ela queria agora era ir para casa. Aquela casa na colina esverdeada onde sua mãe gritava seu nome milhares de vezes, dizendo que o campo era perigoso. Tudo que ela queria era o colo de sua mãe após uma picada de abelha. </p>
<p>Porém, Mamãe não estava mais ali.<br />
Não havia mais casa na colina.<br />
Nem abelhas que quisessem lhe picar.<br />
Tudo que havia era coletivas, pessoas fotografando cada detalhe e ele.<br />
Embora ele parecesse dominar tudo naqueles tempos. </p>
<p>Escutou a porta ranger, enquanto via seus olhos marejando. Mal pode perceber quem era, apenas sentiu invadir-lhe o peito o perfume conhecido. As veias borbulhando novamente. Francês, forte, fatal. &#8211; Therese? E lá estava ele, observando-a confuso a expressão que ela fazia pelo reflexo do espelho. Com um buque de rosas vermelhas enorme. &#8211; Não me decidi entre margaridas ou rosas&#8230; Nem sobre qual local jantaremos. E sorriu torto. Era um convite. O jeito estranho dele de convidar.</p>
<p>E ela já sabia o final daquela história.<br />
Jantar, sorriso, &#8220;eu adorei as rosas&#8221;, &#8220;que tal um café (da manhã comigo)?&#8221;.<br />
Beijos, &#8220;você é tudo que eu sempre quiz!&#8221;, suor.<br />
Depois um bilhete sobre os lençois brancos do hotel dizendo que não pode ficar. </p>
<p>Ela engoliu o choro e sorriu. </p>
<p>&#8220;- Prefiro Margaridas. Prefiro convites. Prefiro pessoas que saibam atuar histórias àqueles que atuam para conquistar corações por três ou quatro horas num hotel. Prefiro casas em colinas à enormes mansões. Prefiro qualquer coisa à tudo isso que não me completa!&#8221; Então ela abriu os olhos e deixou a imaginação de lado. &#8211; Qualquer lugar está ótimo, Henry. Sua voz ra um soprano doce.</p>
<p>E ele ofereceu-lhe o braço. Ela aceitou, e aceitou todo o resto. Sabia que ele não seria seu. Não era do tipo de homem que era de ninguém. Mas, ela o aceitaria todas as vezes que ele quisesse fingir que um dia fora todo seu.</p>
<p>Paixão latina e ardente é assim.<br />
Sem explicação.<br />
Therese sempre amou assim aqueles que nunca a completaram de verdade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/215/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=215&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O miocárdio de (um rapaz de) biblioteca.</title>
		<link>http://ilzysousa.wordpress.com/2010/09/23/o-miocardio-de-um-rapaz-de-biblioteca/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Sep 2010 02:23:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Silêncio!&#8221; Dizia o cartaz na entrada do local com a foto da Sra. Rodrigues fotografada com muito pó de arroz, seus cabelos grisalhos presos para trás num coque antigo e seu dedo gorduxo e enrugado empunhado à frente do batom muito vermelho e borrado. Apesar da aparência cruel, ela era uma mulher simpática. Com alguns. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=209&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://fc03.deviantart.net/fs70/f/2010/027/9/a/That_Nerd__s_In_Love_by_pawlabear.jpg" title="Nerds" class="aligncenter" width="700" height="525" /></p>
<p>&#8220;Silêncio!&#8221; Dizia o cartaz na entrada do local com a foto da Sra. Rodrigues fotografada com muito pó de arroz, seus cabelos grisalhos presos para trás num coque antigo e seu dedo gorduxo e enrugado empunhado à frente do batom muito vermelho e borrado. Apesar da aparência cruel, ela era uma mulher simpática. Com alguns.</p>
<p>Aquela imitação não chegava aos pés da bela moça do hospitais, mas já ajudava no propósito para qual fora feito: Mostrar que ali não era lugar para conversas. A Sra. Rodrigues, vestida com seu terninho azul-claro típico, encontrava-se ali atrás do balcão, como sempre, com mais um romances entre os óculos meia-lua. </p>
<p>Foi quando ele adentrou.</p>
<p>Tinha tanta intimidade com o local que simplesmente adentrou, seguindo diretamente ao aglomerado de estantes da ala Norte. Retirou o casaco ainda caminhando, colocou-o no ombro e arrumou os óculos na face com a outra mão. Pareciam ter um grau médio, não forte, mas necessário para saber onde as coisas estavam sem embaços. </p>
<p>Percorreu toda uma fileira de livros empoeirados com o dedo indicador colado ao dedo médio. Fez isso por alguns minutos e algumas estantes. Quando o dedo já estava devidamente sujo, encontrou o que procurava, parando bruscamente ali no meio da fileira. Com a habilidade que somente pode ser adquirida pelo hábito, retirou o livro de capa vermelho-escura e levou-o consigo.</p>
<p>Aliás, deve ser ressaltado a figura do rapaz caminhando por aqui. Apesar dos seus profundos esforços de mostrar-se como qualquer outro adolescente comum, como a escolha de roupas um tanto descoladas e da moda, era perceptível demais o tipo de pessoa do qual se tratava. O corpo magro, rijo e alto, atrelado aos óculos retangulares e finos, aquele corte de cabelo social penteado com precisão, a protuderância visível dentro do bolso dianteiro indicando um daqueles novos jogos super modernos e &#8211; veja só! &#8211; os sapatos sociais muito bem polidos não deixavam negar: Era aquele tipo de aluno que tira as melhores notas na escola. </p>
<p>Aquele que a maioria das meninas não sente atração nenhuma.<br />
Salvo na hora dos exames.<br />
Ah! Vocês sabem quem eles são.</p>
<p>Bem, outros detalhes importante sobre o rapaz era que ele não seguia aquele esteriotipo, parecia recusar-se a pertencer ao movimento que fora colocado. O sorriso de dentes muito brancos e alinhados, a boca pequena com o lábio inferior mais carnudo que o superior, e claro, o formato do rosto com traços muito bem marcados lhe davam um charme não conhecido pela maioria dos participantes daquele grupo: Ele era bonito. </p>
<p>A Sra. Rodrigues costumava suspirar quando o via entrar por dois motivos bem evidentes: Primeiro, sua beleza e segundo, porque ela nunca o viu com ninguém. Era do tipo de pessoa taciturna, que só respondia o que lhe era perguntado e que costumava andar sozinho por aí do tempo todo. </p>
<p>Ela o viu voltando dos corredores e fez exatamente como todos os dias: &#8211; Olá, Leonardo; diriguiu sua voz aguda e delicada ao rapaz, com um charme visivelmente forçado. Ele já havia sentado numa daqueles mesas reluzentes e redondas de madeira e colocado a protuberante bolsa na cadeira ao lado. Retirado um grafite azul escuro do bolso e aberto aquele grande livro vermelho. Só então levantou os olhos castanhos profundos e sorriu a ela, acenando com a cabeça. &#8211; Sra. Rodrigues. &#8220;Ah! Tão jovem!&#8221; pensava ela, enquanto recordava que aquele rapaz era exatamente como ela havia imaginado seu principe encantado, tantas décadas antes. </p>
<p>Foi quando ela adentrou. </p>
<p>Era uma menina de cabelos um pouco maiores que a altura dos seus ombros, franja reta e de um negro tão acentuado  e fios tão lisos que só poderia haver química por ali; vestida com um jeans surrado, cheio de bolsos e meio rasgado nos joelhos, uma T-shirt vermelha colada, onde haviam um grande símbolo japonês pintado com muitas cores e tênis coloridos de jogador de basquete e uma mochila colorida parecendo muito vazia.</p>
<p>Os fones de ouvido gritavam algum barulho para seus tímpanos que poderia ser ouvido de longe. Ela adentrou ao local tropeçando numa superficie perfeitamente lisa, observando confusa o chão e dando de ombros. Estava quase acostumada a tropeçar. Sorriu delicadamente à Sra. Rodrigues e falou alto demais: &#8211; Ah, Oi! Er&#8230; Onde é a sessão de Exatas? </p>
<p>Medindo-a dos pés à cabela, a Sra. Rodrigues sorriu com aprovação. Apesar da aparência gritante, a menina tinha olhos achocolatados bonitos e um sorriso que dava vontade de sorrir com ela. E de tão atrapalhada, parecia mais delicada ainda. Ela esperou impaciente sua resposta, que veio com dois acenos: um indicando à placa de silêncio atrás do balcão e a outra indicando o corredor próximo a mesa onde Leonardo estudava. </p>
<p>Normas do local: fique quieto, pegue seu livro e sente-se. </p>
<p>Leonardo, que tinha uma capacidade de concentração tão acentuada que só poderia ser descrita como um dom, continuava entretido numa das páginas do livro vermelho. Parecia alheio à todo o mundo, mas não deixou de notar que alguém adentrara, especialmente quando um perfume delicado passou pelo seu nariz sensível e entrou no corredor C &#8211; Ala Exatas. Ele observou de canto de olho, mas não conseguiu distinguir nada além daqueles tênis coloridos.</p>
<p>Abaixou os olhos novamente e deu de ombros. Que importava se alguém tinha o cheiro tão bom? Logo ela estaria fora dali e seria novamente só ele, os livros e a Sra. Rodrigues. Não que aquilo fosse realmente bom, mas era o de sempre e ele era um profundo apaixonado por padrões.</p>
<p>Mas, suas previsões estavam erradas. A menina demorou muito até encontrar o livro que desejava, sentou-se na mesa ao lado da sua, bateu o cotovelo no encosto da cadeira, murmurrou um chingamento feio e o abriu já parecendo derrotada por ele. Retirou um caderno colorido da bolsa e uma caneta cor-de-rosa, claro, não antes de emperrar o ziper da bolsa e fazer barulho novamente. </p>
<p>Trinta minutos depois, ela já parecia completamente desesperada, segurando a ponta dos cabelos entre os dedos e olhando para as páginas com os olhos completamente perdidos. Era evidente que ela não sabia absolutamente nada daquilo. </p>
<p>Os olhos atentos de Leonardo observaram tudo aquilo por cima dos óculos, tão discretamente que ela sequer deveria ter notado. Ele não leu nenhuma das várias páginas que já havia passado, mas não pareceu importar-se. Lutava com uma decisão esquisita que pulsava seu coração.</p>
<p>Desde que a viu, ele sentiu uma estranha sensação de que gostaria de protegê-la. Engraçado vindo dele que não importava-se com ninguém! Ele ignorou a sensação por alguns minutos, mas não pode deixá-la para lá por mais que isso. Seus olhos corriam para ela o tempo todo, como se ele estivesse prevendo outro acidente à qualquer momento. E estava certo. Ela ainda mordeu o lábio inferior com tanta força que machucou. Derrubou a caneta em baixo da mesa e bateu a cabeça quando foi levantar e murmurrava que odiava aquela materia à cada cinco minutos. </p>
<p>A todo momento, Leonardo sentia que levantar-se-ia e oferecer-lhe-ia ajuda. Mas ele sabia que não o faria. Estava tão acostumado á inercia de não envolver-se com as outras pessoas &#8211; além, claro, dos seus adversários online dos jogos de RPG &#8211; que simplesmente conformou-se: aquela seria uma tarde sem proveito até que ela resolvesse desaparecer.</p>
<p>Só então ele sentiu um calor esquisito sobre seu ombro. Um pequena mão. Lançou um olhar especulador e assustado à dona da mão e percebeu que era exatamente a menina. Naquele instante ele sentiu um sulco do coração. Como ela havia se movimentado tão rápido? </p>
<p>- Você tem cara de Nerd, assinalou ela, antes mesmo de ele recuperar-se do susto. A voz da menina tinha a textura de algodão doce. &#8211; E Nerd são legais, certo? Parecia muito mais uma pergunta retórica que diriguida à ele, um insentivo para si mesma. &#8211; Então andei me perguntando algumas coisas e concluí: Você com certeza sabe Polinômios. &#8220;Ela estava pensando sobre mim também?!&#8221; pensou ele ainda assustado. &#8211; Só me resta saber se você me ajudaria. </p>
<p>Ele levou mais do que o tempo necessário para assimilar tudo aquilo de uma vez. Primeiro, desde que ela entrara ali, Leonardo só conseguiu concentrar-se no que ela fazia, e agora lá estava ela, lhe pedindo ajuda do jeito mais esquisito do mundo. Ninguém nunca lhe avisou que ninguém gosta de ser chamado de Nerd? Especialmente eles? Mas com aquele sorriso envergonhado que ela estampava no rosto, era impossível ficar realmente irritado. </p>
<p>Antes de perceber, Leonardo já havia se levantado. Ela entendeu aquilo como um sim e sorriu muito feliz, como se todos os seus problemas tivessem desaparecido. Caminhou novamente para a mesa onde estavam suas coisas, sendo seguida pelos calcanhares por um rapaz de ombros curvados e um livro vermelho na mão.  </p>
<p>Sem entender exatamente o que havia acontecido com seu Eu-solitário, tacirturno e aquela velha mania de deixar os outros se viraram, ele sentou-se ao lado da moça, que &#8211; por sua vez &#8211; puxou a cadeira para bem próximo à dele. &#8211; Eu nem disse meu nome&#8230; Ela parecia conversas sozinha na maioria das vezes que abria a boca. &#8211; Sou Leonardo. Ele respondeu, olhando-a nos olhos pela primeira vez. Encontrou um sorriso ali. &#8211; Sou Elisabela. Pode chamar de Bells, é como meus amigos me chamam. Os seus devem te chamar de Léo&#8230; </p>
<p>Era estranho como ela o tratava como um conhecido de anos. E mais estranho ainda escutar um apelido referindo-se a ele. &#8220;Que amigos?&#8221; Ele quis perguntar-lhe com ironia. Não disse nada, apenas puxou o livro que ela usava para próximo de onde estava. Se era pra ser feito, que fosse logo, antes que o perfume dela o deixasse mais desnorteado ainda. </p>
<p>- Eu realmente não entendo isso, sabe, Léo? E ela parecia tão descontente com aquela situação que ele quase sentiu vontade de consolá-la. Só então lembrou que não fazia ideia de como se fazia aquilo. Balançou levemente a cabeça antes de começar a ler todo o capitulo. É claro que ele sabia aquilo melhor que qualquer pessoa que já conheceu, mas que lhe custava parecer um pouco confuso? Talvez consolar fosse aquilo. Colocar-se como igual ao outro.</p>
<p>- Bem&#8230; Ele começou, mas a menina não o deixou terminar. &#8211; Porque você é tão calado, Léo? Já fiz mil perguntas e você não disse nada. Isso é falta de educação. A voz dela tomou um tom tão autoritário que ele logo irritou-se. &#8220;Quem essa garota pensa que é? Estou aqui fazendo-lhe um favor!&#8221; E ele quase externou seus pensamentos, mas ainda bem que a viu sorrindo em sua direção um tanto antes. &#8211; Você é tímido? </p>
<p>Leonardo sabia que naquele instante ele havia ruborizado. Aquela menina tinha um dom, com certeza o tinha: Ela fazia todas as perguntas que as pessoas não devem fazer. Então, porque era mesmo que ele estava ali? Não sabia, só sabia que ela o fazia querer ser mudo. E ele até poderia fingir, mas já era tarde, já havia falado. </p>
<p>- Qual é mesmo sua dúvida sobre polimônios? Ele respondeu, ignorando as palavras dela, saindo mais grosseiro do que pretendia e concentrando-se naquilo que não lhe deixava nervoso: aquilo que ele conhecia. &#8211; Esse tão de Bryori-alguma-coisa&#8230; </p>
<p>- Método Bryori-Ruffini&#8230; E aquela foi sua deixa.<br />
O rapaz assumiu todo um ar de quem sabe das coisas e começou a externá-lo à moça. Incrível como ele parecia saber todos os detalhes sobre o conteúdo. O grau, o produto e a divisão. A chave e o Bryori. Não havia um exemplo que ele não conhecesse, nem um erro de Isabella que ele não soubesse onde estava. </p>
<p>No começo, ela havia ficado muito quieta, prestando atenção em tudo que ele falava. Leonardo percebeu que &#8211; apesar de ser tão desastrada e incoveniente &#8211; ela era uma menina inteligente. Pegou tudo nos primeiros momentos e já fazia exemplos de medianos quase sem erros. Ele sorriu. Parecia que havia conseguido mesmo ajudar alguém, pelo menos uma vez na vida. </p>
<p>Ela sorriu delicadamente quando eles terminaram o último exemplo do livro e olhou-o com muita gratidão. Leonardo sequer percebeu, mas havia adquirido a mania de sorrir todas as vezes que ela sorria. Até lhe chamou de Bells para apontar um pequeno erro de sinal, uma vez. E, quando ele finalmente percebeu, estava quase respondendo à uma daquelas perguntas que comumente lhe irritavam. </p>
<p>- Ah! Léo&#8230; Sério&#8230; Obrigada mesmo! Ele sorriu e parecia satisfeito demais. Isabella era um menina linda, inteligente e delicada. E ele quase estava gostando de ter companhia. Quase, porque ele lembrou que depois daquele dia voltaria a normalidade na biblioteca. Livros, ele e a Sra Rodrigues. Ele prendeu um suspiro.</p>
<p>- Nossa, já é tarde assim? Ela falou consigo mesma novamente, como o costume, olhando um relógio esquisito que levava no pulso, que mais parecia uma pulseira de borracha colorida. &#8211; Preciso ir&#8230; O tom de voz de algodão doce parecia pesaroso, e ela lhe lançou um olhar de desculpas. Começou a arrumar suas coisas enquanto uma sensação estranha se formava dentro do rapaz: ele não sabia ao certo, mas parecia que estava com saudades dela. E ela não havia nem partido ainda! Estranho&#8230;</p>
<p>Então ela levantou-se e ele também, um cavalheiro medieval nato, como costumava se auto-descrever. Ela sorriu, levou o dedo polegar a boca e começou a roer a unha. Parecia ponderar alguma coisa com seus botões. Então decidiu: &#8211; Você ainda vai demorar aqui? </p>
<p>Ele observou o que ela insinuava e observou também sua bolsa no outra mesa, bastava colocá-las nas costas e colocar o livro no lugar&#8230; Já havia sido um dia sem qualquer proveito, de qualquer maneira&#8230; E&#8230; Que ele tinha a perder, afinal?&#8230; &#8211; Não. Respondeu ainda relutante. &#8211; Já estava indo também&#8230; Bells sorriu e quase deu um pulinho onde estava, mas contêve-se, observando a Sra. Rodrigues. </p>
<p>Então, enquanto ela o esperava guardar o seu livro e o dela, pegar sua mochila e ambos assinarem o livro de presença da biblioteca, sob o olhar atento e um tanto enciumado da Sra. Rodrigues, Leonardo considerava tudo que havia acontecido ali. E ele realmente não estava muito interessado em como, pois as consequências o agradavam: Engraçado como ele se sentia bem ao lado de Isabella, mesmo que dela só soubesse o nome e os traços mais evidentes.</p>
<p>Desceram as escadarias e caminharam lado à lado pela calçada. O sol já estava desaparecendo no horizonte, mas ainda iluminava o caminho e esquentava os corpos de um jeito gostoso. Era vermelho, rosa e dourado em suas faces que sumiam. Leonardo o observava sem perceber, como já era o seu costume. &#8211; Você também gosta? Ela disse indicando o sol, ele sorriu e assentiu. Bells sorriu, ele também. &#8211; Aliás, onde você estuda, Léo? E aquela fora deixa de Bells precisava.</p>
<p>Incrivelmente, Leonardo respondeu à tudo que ela lhe perguntou durante o longo caminho. Ela também respondia as próprias perguntas, e no final da Avenida Getúlio Vargas, ele parecia já ter jantado com toda a família da menina, conhecido ela desde a infância e percebido que gostava à cada segundo mais de tê-la conhecido. E aquilo era completamente novo para ele.</p>
<p>Até que ele precisou dobrar a esquina à esquerda.<br />
E ela a direita. </p>
<p>A noite já estava cheia de estrelas quando ele percebeu que &#8211; daquela vez era verdade &#8211; eles precisaria se separar. Ambos pararam. Ela retorcia uma mão na outra e ele estalava os dedos da mão direita com a esquerda. </p>
<p>- É&#8230; Eu preciso ir, realmente. Adorei te conhecer, bom mesmo, Léo!<br />
- Para mim também.<br />
- Bem, a gente se ver por aí&#8230;<br />
- É&#8230;</p>
<p>E ele dobrou a esquina. Nem precisou fazer todo o grau da curva para arrepender-se. Deu-lhe logo um tapa na própria cabeça e chingou baixinho a si mesmo. Porque ele não havia perguntado onde ela morava? Ele poderia tê-la acompanhado! Ou pedido o telefone, qualquer coisa. Maldita mania de não conseguir falar quando quer, especialmente perto de meninas!</p>
<p>Então ele escutou uma coisa correndo em sua direção e chamando seu nome. Também escutou uma coisa caindo no chão. Só então percebeu que Bella sorria sentada na calçada e parecendo realmente envergonhada. Ele foi até lá e ajudou-a a levantar-se, sem conseguir conter um riso. </p>
<p>Depois de estar em pé, com ela mais próxima que qualquer outra pessoa já esteve, ela lhe disse completamente rubra: &#8211; Você esqueceu uma coisa. E ele, sentindo-se mais distraído do que nunca e abobalhado por vê-la novamente, sorriu.  &#8211; Mesmo? O quê? Disse apalpando os bolsos. &#8211; De me beijar. </p>
<p>E ouvindo isso, viu os braços da menina entrelaçarem seu pescoço, os pés delicados dela subirem sob seus sapatos e tudo que pode fazer foi sorrir antes de tocar seus lábios aos dela. Pela primeira vez na vida &#8211; mesmo que isso significasse 17 anos de espera &#8211; ele estava beijando uma garota.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/209/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=209&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Se&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Sep 2010 00:05:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Dizem que as pessoas evoluem ao longo dos anos. Mas, não há evolução&#8230; Se ainda choro no colo de minha mamãe como há 16 anos, Se ainda tenho os mesmos amigos de 15 anos atrás, Se ainda faço besteiras sabendo que é errado como há 14 anos, Se ainda prefiro o mesmo canal de 13 [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=204&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>Dizem que as pessoas evoluem ao longo dos anos.<br />
Mas, não há evolução&#8230;</p>
<p>Se ainda choro no colo de minha mamãe como há 16 anos,<br />
Se ainda tenho os mesmos amigos de 15 anos atrás,<br />
Se ainda faço besteiras sabendo que é errado como há 14 anos,<br />
Se ainda prefiro o mesmo canal de 13 anos atrás,<br />
Se ainda entro em competições idiotas como há 12 anos,<br />
Se ainda agradeço pelo presente de 11 anos atrás,<br />
Se ainda tenho a mesma matéria preferida de 10 anos atrás,<br />
Se ainda adoro os mesmos desenhos de 9 anos atrás,<br />
Se ainda tiro fotos como a 8 anos atrás,<br />
Se escrevo sobre uma paixão de 7 anos atrás,<br />
Se ainda tenho os mesmo livros preferidos de 6 anos atrás,<br />
Se quando chove ainda penso no meu melhor amigo de 5 anos atrás,<br />
Se ainda penso no mesmo cara de 4 anos atrás,<br />
Se ainda escuto as mesmas músicas de 3 anos atrás,<br />
Se ainda sou amiga do namorado de 2 anos atrás,<br />
Se ainda sinto falta do último ano&#8230;<br />
Se daqui 1 ano terei saudades dos amigos de hoje&#8230;</p>
<p>Pois, se ainda guardo todas as memórias<br />
E recordo todos os dias destes últimos 17 anos sem mudá-las,<br />
E ainda sento na mesma janela para recordá-las,<br />
Que espécie de evolução é essa?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/204/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=204&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Os bons motivos de um jogo sujo.</title>
		<link>http://ilzysousa.wordpress.com/2010/08/26/os-bons-motivos-de-um-jogo-sujo/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 22:37:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[- Dê-me aqui essas cartas! Uma voz feminina e autoritária sorriu para os participantes da mesa. Um velho magro e de cabelos grisalhos deu-lhe um sorriso maldoso em retorno. Ele estava distribuindo as cartas antes. Outro homem, de terno, bebeu um copo inteiro de uísque de uma vez. Parecia concentrado e preocupado. Já havia perdido [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=185&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="Jogo sujo" src="http://ilzysousa.files.wordpress.com/2010/09/sem-titulo-1.jpg?w=400&#038;h=267" alt="" width="400" height="267" /></p>
<p>- Dê-me aqui essas cartas! Uma voz feminina e autoritária sorriu para os participantes da mesa. Um velho magro e de cabelos grisalhos deu-lhe um sorriso maldoso em retorno. Ele estava distribuindo as cartas antes. Outro homem, de terno, bebeu um copo inteiro de uísque de uma vez. Parecia concentrado e preocupado. Já havia perdido demais. O outro, que fumava um charuto cubano apenas olhava ao redor. Também preocupado.</p>
<p>O local cheirava a álcool, suor e charutos. E trapaça. Agora – com o baralho em mãos – a menina podia sentir o cheiro do próprio perfume e de sabonete de morango enquanto apoiava a boca do dorso da mão. Observava o baralho em suas mãos – não era dos melhores jogos – ao tempo que sentia o jogo perfeito em seus pulsos. Ela tinha cartas nas mangas. Literalmente.</p>
<p>Ela havia aprendido a jogar com o pai,<br />
Mas sabia perfeitamente que ele odiaria vê-la naquela situação.<br />
Porém, era necessário.<br />
E o jogo se faz à medida da necessidade.</p>
<p>O pub ficava no cruzamento entre a quinta avenida e a rua da alfândega. O tipo de lugar aonde pessoas sensatas não iriam, pois os maiores prostíbulos e cassinos estavam ali; os índices de assalto, estupro e a criminalidade – em geral – daquela cidade tinham ali uma mãe. Todos, jogos de interesse. E todos ilegais.</p>
<p>Bem, sensatez nunca foi um dos adjetivos de Liz.</p>
<p>Ela colocou uma mecha do cabelo para trás da orelha, sorriu delicadamente para o seu baralho e passou a língua num canto seco dos seus lábios carnudos. O senhor dos charutos parecia realmente interessado naquilo, tanto que sequer percebeu que – naquele mesmo momento – ela havia retirado três cartas da manga e colocado outras três em seu lugar. Tudo isso com uma habilidade que só pode ser descrita como um dom.</p>
<p>Agora, só precisava esperar mais um ou duas rodas – para não haver suspeitas – e baixar o jogo perfeito. Foi o que fez cinco minutos depois, para o completo desespero dos três homens que estavam ali – observando mais suas pernas e seus seios ao próprio baralho – que ela fez o milagre.</p>
<p>Pegou todas as fichas para si, sorrindo abertamente. Havia acabado. Levantou-se e sorriu aos senhores que também levantaram – quem disse que delinqüentes não pode ser cavalheiros? Os ricos são, acredite – e desejou-lhe boa noite.</p>
<p>O homem magro não estava satisfeito enquanto via as longas pernas da menina cruzando o salão. Ela não levava só aquelas belas curvas, levavam o dinheiro da hipoteca de sua casa e provavelmente a incerteza de onde sua família moraria agora, também. O outro do charuto levantou. Seguiu seus calcanhares até onde ela conversa com o barman.</p>
<p>– Uma boa noite, Liz&#8230; Começou e terminou o barman. E ele não estava lhe desejando nada enquanto observava seus olhos castanhos cruzarem os dela, de um azul fosco excitado e animado. Como ela nunca falava, ele apenas sorriu. E foi retribuído, juntamente com um pequeno pedaço de papel deixado sobre o balcão. Ela pegou um grande maço de notas verdes, guardou na bolsa vermelha que levava e virou-se para sair.</p>
<p>O barman – um italiano deportado – ficava muito feliz todas as vezes que alguém tirava o máximo que conseguisse daqueles cretinos que por lá andavam. Eles não eram generosos em gorjetas e isso deixa magoas em qualquer um que faça um bom serviço. Ficava mais feliz ainda enquanto observava as letras redondas e escritas apressadamente da menina. Dez dígitos. Um número de celular.</p>
<p>Quando as longas pernas da menina pretendiam cruzar a porta, uma mão pousou sobre seu ombro. Cheirava a charutos. Parecia que ela estava enrascada. Seu coração não lhe tampava as vias nasais agora. Então ela virou-se, sorrindo calmamente. O homem apenas lhe entregou um cartão, disse que a esperava na próxima noite naquele endereço: -&#8230; Depois do jogo, naturalmente. E sorriu para ela, ela sorriu em resposta e saiu.</p>
<p>Amassou o cartão e jogou-o numa lata de lixo algumas esquinas depois. Nem percebeu que aquele era o convite de uma grande festa que aconteceria no Hotel Royal, que segundo as línguas seria o maior evento que se teria notícia naquele ano. Precisou caminhar quase trinta minutos até encontrar um local onde passavam taxis. Estava apavorada durante todo o caminho. O homem olhou-a como quem perguntava o que havia dentro da sua cabeça para andar aquela hora naquele lugar. E ela lhe respondeu a pergunta: &#8211; Vá à 4ª delegacia, por favor.</p>
<p>Quando desceu, pagou ao taxista e puxou o casaco para mais perto do corpo. Mirou aquela velha e típica construção americana por algum tempo: os cinco degraus de pedra ladeados por corre-mãos de concreto, a construção cinza e as letras garrafais que lhe davam nome. Via estruturas como aquelas na maioria dos filmes que perdia noites analisando. Nunca esteve em uma, nem nunca estaria se não fosse por ele.</p>
<p>É isso que se ganha quando se deseja uma vida de filmes, pensou.<br />
Depois adentrou ao local.<br />
Pediu para falar com o delegado.</p>
<p>O Mr. Hudson era um homem de rosto suculento e tez realmente branca. Vestia aquele uniforme há tantos anos que já lhe parecia um órgão do corpo – uma espécie de outra epiderme. Conhecia Liz há tanto tempo que toda vez que a via fazia questão de comentar que a pegara no colo. E toda vez lamentava pela morte do seu amigo e pai da menina.</p>
<p>- Tenho o dinheiro. Foi tudo que ela disse, enquanto tirava da bolsa cerca de 10 maços de dinheiro. Havia tanto dinheiro ali que o próprio delegado espantou-se. Ele lhe fitou com muitas perguntas. Guardou todas para si ou para outra ocasião. Chamou um dos seus homens e pediu que levasse a menina até onde “o sujeito”, mas não antes de lhe dizer que realmente não acreditava no que estava acontecendo.</p>
<p>Os corredores das celas eram fedorentos e secos, apesar da umidade alta lá fora. Pareciam emanar por discórdia e agonia. Era quase tocável em frente ao ar que se formava a frente de cada uma dela. Liz escutou insultos e elogios enquanto caminhava por ali, até a última das celas. Seu coração estava completamente caloroso. Ela finalmente havia conseguido.</p>
<p>Quando o homem e a menina alcançaram a última cela, o soldado bateu nas grades, chamou um sobrenome conhecido e sorriu. Engraçado como todos ali parecia gostar daquela criatura. Lá de dentro, por entre o breu da noite e entrando por baixo de uma luz fraca.</p>
<p>Ele não tinha mais do que dezessete anos. Vestia um jeans sujo e uma camisa cinza por baixo de um casaco discreto, também cinza. Tinha a barba por fazer e os cabelos completamente sem cortes, rosto cheio de traços marcados, muito masculinos e bonitos. Parecia completamente arrependido e tão cansado que se uma cama qualquer lhe fosse colocada a frente, seu corpo cessaria forças no mesmo instante. Caminhava com estranheza, parecia não acreditar no que escutara.</p>
<p>Aliás, só acreditou mesmo quando seu rosto foi iluminado pelo seu sorriso mais característico: sua boca – que mais parecia um corte abaixo do nariz – abria-se num sorriso de dentes brancos e alinhados. Seus olhos – de um azul tão fosco que se tornavam cinza – brilhavam a imagem da mulher que ele mais amava no mundo, esperando por ele ali a alguns passos, roendo das unhas pintadas de vermelho.</p>
<p>Ele correu até lá, mal podia esperar para tê-la entre seus braços e perguntar-lhe como havia conseguido, pois eles nunca poderiam pagar tudo aquilo, ainda mais em tão pouco tempo. E ele a tomou entre seus braços minutos depois, enquanto ela enroscava os seus no seu pescoço e seus dedos nos cabelos dele. Lagrimas lhe vinham ao rosto como torrentes, e dessa vez ela não as controlou, especialmente enquanto sentia a boca do rapaz tão perto dos seus ouvidos, sussurrando com toda sinceridade que poderia: – Você é a melhor irmã do mundo, Liz. Obrigado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/185/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=185&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jogo sujo</media:title>
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		<title>Sem titulo, com saudades.</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 22:35:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela havia feito tudo certo. Era domingo e acordara precisamente às oito horas da manhã. Coçou os olhos com o dorso da mão esquerda e e desejou dormir novamente por mais algumas horas, porém, levantou e tomou um banho gelado. Os cabelos louros e curtos ainda estavam úmidos quando passou pela porta da cozinha, batendo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=179&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilzysousa.files.wordpress.com/2010/08/stcs.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-180" title="stcs" src="http://ilzysousa.files.wordpress.com/2010/08/stcs.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>Ela havia feito tudo certo. Era domingo e acordara precisamente às oito horas da manhã. Coçou os olhos com o dorso da mão esquerda e e desejou dormir novamente por mais algumas horas, porém, levantou e tomou um banho gelado.</p>
<p>Os cabelos louros e curtos ainda estavam úmidos quando passou pela porta da cozinha, batendo o nó do dedo médio ali &#8211; uma mania adiquerida com o pai que ainda demonstrava a mesma coisa de quando criança: tristeza.</p>
<p>Pegou uma caneca preta, observou ao redor. Suspirou e tomou o pote de pó para preparo de capuccino de chocolate entre suas mãos. Esquentou a água. Mexeu tudo. Tirou uma mecha do cabelo que lhe incomodava os olhos.</p>
<p>Tomou a caneca nas mãos &#8211; sem usar a asa &#8211; e não se importou se lhe queimava as palmas. Debruçou-se sobre o para-peito da janela, após colocar a caneca ali. Observou a copa da árvore que alcançava a janela do seu apartamento no quarto andar. Observou também a janela que ficava de frente à sua e que &#8211; naquele momento &#8211; continuava fechada e acumulando pó. Que tipo de engenheiro construía um condominio onde os predio eram da mesma altura e as janelas uma de frente à outra? Alguém com dez num boletim de cálculo e zero em noção de privacidade.</p>
<p>Levou o líquido à boca e o deixou queimar-lhe a garganta, sem protestos. Sentiu que todo seu corpo ficava quente, mas ainda sentia que seu coração permanecia congelado. Não importava quantos daqueles tomasse, ele permanecia daquele jeito há muito tempo.</p>
<p>Tudo estava certo. Ela havia feito exatamente igual àquele dia e fez isso por muitos domingos. Então, porque ainda não podia ver as mãos longas e brancas dele abrindo a janela e sorrindo com aqueles dentes reluzentes? Por que ele não estava mais ali. Nem estaria.</p>
<p>Mortos não abrem janelas, nem sorriem. Não pagam aluguel, nem se importam se fazem tanta falta à ponto de causarem dor física e completa sensação de impotência perante o mundo. Mortos não amam.</p>
<p>Vivos sim.</p>
<p>Ela tomou outro gole de capuccino, mas tudo que pode sentir foi o gosto agridoce da saudades que nunca mais poderá ser morta com um abraço apertado.</p>
<p style="text-align:center;">•••</p>
<p><strong>DEDICADO À:</strong> Pâmella, Nágilla, Renata, Ivisson, Rafael e Elana, que primeiro escutaram este conto;<br />
Especialmente à Elana, pelo brilho nos olhos após o termino da minha leitura trêmula.<br />
Obrigada por isso, Nega, é o tipo de coisa que me motiva a continuar escrevendo. Amo-te ♥</p>
<p style="text-align:center;">•••</p>
<p><strong>NOTA DA AUTORA:</strong> É, eu não consigo ver um bom final para o MEDO DE OLHAR, então decidi que é hora de pensar se o transformo num livro &#8211; afinal eu decididamente percebi que conseguiria &#8211; ou se penso num final para umas cinco páginas. Por enquanto, pensem no que Lilah poderia fazer a respeito e obrigada por acompanharem <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/179/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=179&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Medo de olhar [4]</title>
		<link>http://ilzysousa.wordpress.com/2010/08/11/medo-de-olhar-4/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 23:43:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[PARTE IV Em meio a escuridão do quarto que ela julgava ser seu refúgio-mor, a menina estendia seu corpo recostado na porta de madeira, após perder a força das pernas que lhe sustentavam e escorregar até ali, no chão duro e frio. Lágrimas formavam uma enorme onda em seus olhos e caminhos diversos pelo seu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=175&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:left;"><a href="http://ilzysousa.files.wordpress.com/2010/08/medodeolhar.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-163" title="medodeolhar" src="http://ilzysousa.files.wordpress.com/2010/08/medodeolhar.png?w=500" alt=""   /></a><strong><em>PARTE IV</em></strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align:left;">Em meio a escuridão do quarto que ela julgava ser seu refúgio-mor, a menina estendia seu corpo recostado na porta de madeira, após perder a força das pernas que lhe sustentavam e escorregar até ali, no chão duro e frio. Lágrimas formavam uma enorme onda em seus olhos e caminhos diversos pelo seu rosto, deixando uma marca quente por onde passavam e impedindo-a de ver à sua frente.</p>
<p>Um nó estranho formou-se em sua garganta, parecia que tinham retorcido-lhe a laringa, faringe e todo o aparelho digestório, que agora lhe impedia de respirar quase que por completo. Ela sentia-se tonta. Estava completamente em pânico.</p>
<p>Suas pernas tremiam, ela não queria lembrar nunca mais de tudo aquilo e vinha fazendo esforços todos os dias para reter tais imagens. Mas &#8211; naquela noite &#8211; nenhum dos seus esforços adiantou. Ela elevou as mãos ao rosto, tentando impedir à si mesma de formar qualquer uma daquelas lembranças. Tudo em vão. Em meio a escuridão de suas palpebras, as imagens eram quase tangíveis.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>• FLASHBACK •</strong><br />
<em>Algumas lembranças são cruéis demais,<br />
que é preferível esquecê-las.</em></p>
<p>Era o fim do verão daquele ano. Uma menina pequena de cabelos ondulado na altura dos ombros esperava &#8211; com as mãos pequenas entendidas e a cabeça jogada para trás, observando o céu &#8211; uma bola colorida lançada com muita força por um rapazinho do outro lado da rua. Ele tinha pernas finas e um sorriso maldoso no rosto. Ela acabara de saber que ele chamava-se David.</p>
<p>Quando a bola finalmente lhe alcançou, bateu de cheio em seu rosto e quicou sendo lançada por cima da menina, rolando ladeira abaixo. A menina enfureceu-se de tal maneira que fora imediatamente buscá-la. Aquilo teria troco e seria naquele instante. Correu com todas as forças que suas pernas de oito anos conseguiam suportar. O sol já estava terminando de despedir-se no horizonte e ela sabia que logo papai iria lhe pedir para entrar. Fim de verão significava fazer biscoitos, ouvir a última história das férias e dormir cedo demais. Naquele ano, também significava escola nova.</p>
<p>Persegiu a bola por muito tempo e já estava sem paciência, quando ela finalmente parou. Infelizmente, parou nos pés de um homem estranho. Não parecia com nenhum dos seus visinhos e ela percebeu enfim que nada ali parecia com sua visinhança. Parecia ter andado uns três ou quatro quarteirões. O homem observou a bola, depois a menina.</p>
<p>O homem tinha o rosto muito sério e mascado por uma cicatriz acima da sobrancelha. Vestia uma roupa combinando a calça com a blusa de botões, com uma estampa militar e botas sujas. Sorriu para ela de um jeito estranho. Amedrontador. Pegou a bola e começou a ponderar: &#8211; É sua? A menina fez que sim com a cabeça, mais interessada nas medalhas na roupa do homem que em sua voz. &#8211; Você a quer de volta? Ela o olhou nos olhos daquela vez. Claro que queria, precisava se vingar de um certo rapaizinho que estava lhe esperando. Mas aquilo esperou alguns instante&#8230; Os olhos do homem eram esquisitos. Não eram castanhos, nem verdes. Eram uma mistura estranha daquelas duas cores, variando quando o luz batia em cheio neles ou quando a meia-escuridão lhes recobria. Formavam losangulos pequeninhos cada um com uma cor. Eram muito bonitos.</p>
<p>- Qual seu nome? Ele sorriu, mostrando os dentes amarelados para a menina de chegando mais perto. &#8211; Delilah. Ela disse aquilo com toda a presunção de uma criança. Gostava de dizer o próprio nome, era bem verdade. &#8211; Então, Delilah&#8230; Tome aqui sua bola. Ele entregou-a, abaixando-se na altura da menina e olhando-a nos olhos. Delilah sentiu vontade de tocar os losangulos coloridos. &#8211; Gosta de chocolates? Ele tirou um do bolso e entregou a ela. Delilah comeu-o de uma vez só. &#8211; Quer mais? Ele parecia presunçoso demais. Ela fez que sim com a cabeça. &#8211; Ah, venha comigo então&#8230; E ele segurou-a pelo pulso, forçando-a a soltar a bola. Era um aperto firme demais. Delilah tentou soltar-se, quis dizer que precisava ir, que o chocolate podia ficar para depois, mas o homem continuou puxando-a em direção sua casa, apertando seu braço com mais força. Ela tropeçava mais do que andava.</p>
<p>- Delilah?! Um grito fez-se presente em meio ao silêncio da rua. O homem parou no mesmo instante. O pai de Delilah descia a rua rapidamente. Era um homem alto, magro, branco, de cabelos da mesma cor dos da menina e dos olhos tão azuis que até o céu poderia sentir inveja. A menina sorriu assim que o viu. Ele não sorria, parecia muito preocupado e ofegava de tanto correr. Alguma coisa dizia que Delilah estava enrascada. Havia perdido a hora dos biscoito.</p>
<p>- Ei! Você ai! Solte o braço dela! A voz autoritária do papai corria quando ele chegou próximo de onde os dois estavam. Lilah não era a única enrascada então. O homem dos olhos coloridos estava realmente encrencado.</p>
<p>Naquele instante seu pulso foi livre e o homem começou a correr em direção à casa, mas não antes de dar um belo soco no rosto de Delilah, como se ela fosse a culpada. A menina caiu no chão e bateu a cabeça, mas ainda pode ver papai correr atrás do homem e escutar alguma coisa com o som bem alto. Depois disso, não lembrava de absolutamente nada.</p>
<p>Naquele ano, não houve biscoitos.<br />
Nem história antes de dormir.<br />
Delilah procurou pelo papai por muitos dias,<br />
Até que lhes contaram que o papai não voltaria.<br />
Ela só entendeu muitos anos depois.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>• FLASHBACK END •</strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong>NOTA DA AUTORA:</strong> Pela primeira vez em muito tempo tenho a rápida impressão que não vou conseguir chegar neste final tão cedo. <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> <strong><br />
</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilzysousa.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilzysousa.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilzysousa.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilzysousa.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilzysousa.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilzysousa.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilzysousa.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilzysousa.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilzysousa.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilzysousa.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilzysousa.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilzysousa.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilzysousa.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilzysousa.wordpress.com/175/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=175&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Medo de Olhar [3]</title>
		<link>http://ilzysousa.wordpress.com/2010/08/08/medo-de-olhar-3/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 18:58:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ilzy Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[PARTE III Ele retorcia as mãos, esperando na porta da casa da menina, após tocar a campainha. Seu rosto parecia torturado por alguma coisa que nem mesmo ele poderia explicar. Conferiu se tudo estava em seu lugar. Sapatos limpos, camisa de botões passada, jeans novos. O perfume estava em ordem em seu pulso. O cabelo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilzysousa.wordpress.com&amp;blog=13587717&amp;post=171&amp;subd=ilzysousa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilzysousa.files.wordpress.com/2010/08/medodeolhar.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-163" title="medodeolhar" src="http://ilzysousa.files.wordpress.com/2010/08/medodeolhar.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align:left;"><strong><em>PARTE III</em></strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align:left;">Ele retorcia as mãos, esperando na porta da casa da menina, após tocar a campainha. Seu rosto parecia torturado por alguma coisa que nem mesmo ele poderia explicar. Conferiu se tudo estava em seu lugar. Sapatos limpos, camisa de botões passada, jeans novos. O perfume estava em ordem em seu pulso. O cabelo também, visto pelo reflexo do vidro da porta. Então a porta se abriu.</p>
<p>Delilah vestia um jeans escuro e liso, uma blusa cinza-claro e um bolero colorido. Um pequeno salto vermelho. Prendeu o cabelo num rado de cavalo baixo e frouxo, para dar a impressão que não estava arrumada demais. A franja caía para o lado direito e ela sabia que acabaria irritando-se com aquilo em seus olhos, mas deixou como um pequeno charme.  Aquele perfume francês que havia ganhado no último aniversário contaminava todo o ar no momento.</p>
<p>Ela o olhou e corou no mesmo instante. Nunca havia pensado que aquilo aconteceria. Path nunca deu qualquer sinal de que um dia eles sairiam. Ela era sua simples companhia na escola, todos os dias, porque ele ainda não se sentia capaz de fazer amigos. Ou assim ela pensava. E estava enganada.</p>
<p>Sorriu serenamente, parecia realmente feliz. Delilah percebeu que um pequeno sorriso também se fez presente em seu rosto. Tornou-se vacilante assim que ela mirou os olhos do rapaz. Eles estavam mais verdes que de costume, como se nunca tivesse sido castanhos. Talvez fosse a blusa verde-claro que ele usava ou era só ela tendo a impressão que ele conseguia ficar mais bonito todos os dias.</p>
<p>Ele tomou o dorso de sua mão e beijou-a, sorrindo com um pouco de malicia: &#8211; Vamos? Então uma busina soou alto, um alarme sendo desligado. Delilah olhou um carro verde-escuro parado em frente sua casa. O quê? Seu corpo tornou-se tenso enquanto ele lhe guiava.</p>
<p>Parecia o quão atiquado o leitor puder imaginar, mas Delilah tinha algumas políticas próprias. Uma delas era não entrar em carros com rapazes, especialmente sozinha, sooava pegorativo demais para uma menina como ela, criada como uma dama. Uma espécie de alto preservação ou algo do gênero. Mas, naquela noite, ela observou Path e respirou fundo. Já havia quebrado metade do que acreditava, do importava mais aquilo?</p>
<p>Adentrou ao carro e esperou ele entrar também. Ela não conhecia carros, mas aquilo era algo como um chevrolet, se esse era o nome correto. Os bancos eram confortáveis, e havia um leve cheiro de bala de morango e cigarros. Path fumava? Ele tinha licença para diriguir? Ela percebeu que não o conhecia. Aquilo fez seu medo despertar pela primeira vez na noite. Ela estava a completa mercê de um desconhecido.</p>
<p>As mãos voltaram a suar como antes. O coração voltou a garganta, impedindo-a de falar. Então ele sentou-se no outro banco, sorriu para ela de um jeito que ela nunca tinha visto antes. Parecia confiança e felicidade. Delilah não sorriu. Ele deu a partida e diriguiu.</p>
<p>- Sabe, Lilah&#8230; Eu me sinto bem hoje à noite. Gosto quando estamos só nós dois. Ele sorriu calmamente, olhando-a um pouco. Ela estava entretida com a estrada à frente. &#8211; Você gosta de surpresa, certo? Preparei uma. A voz dele era tão animada que Lilah quase animou-se também. Mas não conseguia. O medo havia lhe tomado por completo. Pavor corria em torrente por suas veias.</p>
<p>Lutando internamente, ela respirou fundo o máximo que podia. Não havia decidido tentar? Porque não podia começar? Aos poucos, a auto-confiança lhe voltara e ela sorriu ao rapaz, tirando o franja do rosto com com a ponta dos dedos. Ela voltou no mesmo instante. Não havia motivos para não confiar em Path. Ele era lindo, gentil e seu amigo. Atualmente o único, pelo visto. Além de David, mas ela não queria pensar nele naquele momento. Não quando ela sabia que naquele instante ele deveria estar parado na porta de sua casa com uma pilha de filmes e pipocas. Ele passaria semanas para perdoá-la.</p>
<p>Seu coração estava apertado, Path percebeu. Tomou a mão de Delilah com uma das suas e começou a acariciá-la com o dedo polegar. Ela não sorriu. Ele parou o carro num acostamento. &#8211; Virou-se completamente para ela. &#8211; Olha aqui Lilah&#8230; Se você não quer estar aqui eu vou entender. Não quero que saía comigo por obrigação. A voz dele foi morrendo e perdeu-se naquela última palavra. Por mais que el tentasse desfarçar, parecia realmente triste com tudo aquilo. Talvez ele tivesse planejado aquilo à semanas.</p>
<p>Delilah sentiu-se péssima. Já havia magoado as suas pessoas que se importava em apenas uma noite. Com David não havia mais salvação, mas Path havia. Ela respirou fundo, tomando toda a autoconfiança de antes. Expulsou o medo de suas veias. &#8211; Eu não estaria aqui se não quizesse&#8230; Eu só&#8230; É estranho para mim, Path. Ele mordeu a parte interna dos lábios. &#8211; Qual a parte estranha de sair comigo? Ele estava realmente confuso. &#8211; Você fuma? Delilah lançou. &#8211; Não! Esse carro é do meu pai. Agora que tenho licença posso pegá-lo quando quizer&#8230; Ele parou dois intantes. &#8211; Ah, entendi. Você acha que não me conhece, certo? Lilah assentiu e ele considerou aquilo.</p>
<p>Tirou a chave da ignição. Guardou-a no porta-luvas. &#8211; Então nossos planos parecem ter mudado. Ele sorriu calmamente. &#8211; Esta noite, nós dois vamos no conhecer de verdade. Vamos lá, o jogo é o seguinte: Você me faz um pergunta. Então eu responde e depois você também responde. Depois é minha vez. Entendeu? Delilah sorriu. &#8211; Você começa. Ele sorriu profundamente animado. &#8211; Você tem namorado? Ele sorriu com malicia.</p>
<p style="text-align:center;">&#8230;</p>
<p>Após algumas horas incontadas, ambos permaneceram naquele jogo. Já haviam ido à uma loja de doces próxima e agora estavam sentados no capô do carro, numa rua deserta próxima ao parque. E, após saber que o nome completo de Path era Patrick Henry McLorry, que ele tinha um profundo pavor de gatos, que de timido não tinha absolutamente nada e que já havia se mudado tantas vezes que já não lembrava o nome de metade dos colégio que estudara, pois o pai era militar, Lilah sentiu-se mais próxima dele. Também sentia-se envergonhada de admitir que já comera areia e sabonete quando criança e que parou de dormir com um ursinho velho chamado Mr. Lock à um ano apenas.</p>
<p>A cada nova resposta, o sorriso de Path aumentava &#8211; se é que ainda era humanamente possível. Ela também sorria animada. A conversa fluia tão naturalmente que ela quase esqueceu que precisava voltar para casa. &#8211; Já está tarde&#8230; Havia um peso em dizer aquilo. Path torceu um canto da boca e concordou. &#8211; Tem horas pra voltar ou cansou de me contar os seus segredos? Ele sorriu. &#8211; Eu também sei o seus, mocinho! Não me desafie! Ela o ameaçou, com um dedo entre os seus olhos, que ele tomou com uma das mãos e puxou para ele mesmo. &#8211; Vamos lá, mocinha. Se a polícia nos ver eu posso ser preso. Ambos sorriam.</p>
<p style="text-align:center;">&#8230;</p>
<p>De volta ao carro, Lilah já sequer lembrava porque sentia-se tão amendrontada quando estava com Path na escola. Ela ainda sentia-se nervosa, mas agora de um jeito bom. Seu estômago revirava, ela corava, mas agora podia dizer sinceramente que o conhecia. E ele também a conhecia. Não havia motivos para não confiar nele. Path era mais incrível do que ela julgara. Em dias, aquela fora a melhor noite que tivera.</p>
<p>Path parecia tão animado, tão feliz que mal podia conter-se em si mesmo. Lilah compartilhava aquilo. Só então percebeu que estavam na porta de sua casa. Ele desligou o carro, sorriu para ela, virando-se completamente na direção da menina. Delilah também sorria, mas um tanto pesarosa. Não queria deixá-lo. Ele não queria deixá-la ir, tampouco.</p>
<p>Só então ela percebeu um pequeno brilho que pousara próximo aos olhos do rapaz, quando ele fechou-os por um tempinho. Ele tomou uma das mãos da moça e acaraciou-a com seus dedos.Ele observava suas mãos e parecia tomar uma espécie de decisão, uma pequena ruga pousou entre seus olhos. &#8211; Sabe Lilah&#8230; Hoje foi uma das noites mais especiais que eu já tive&#8230; Ele começou, parou alguns instantes e respirou fundo, parecia tomar coragem. &#8211; E, bem, eu sei que parece muito cedo. Cedo demais e eu vou entender se você não quizer&#8230; Mas eu andei me perguntando o quão gosto de estar com você, e hoje eu cheguei a plena conclusão de que é maior do que eu pude imaginar. Sabe, eu nunca me senti assim por ninguém. Então&#8230; Eu andei me perguntando se&#8230;</p>
<p>Ele parou, cravou intensamente aqueles olhos esverdeados nos de Delilah &#8211; que naquele momento estava com o coração tão disparado que poderia jurar que poder-se-ia vê-lo atraves de sua blusa &#8211; e ficou tão sério quanto conseguia: &#8211; Delilah, quer namorar comigo? Então o coração da menina deu um salto e pareceu parar completamente. Ela esquecera como respirar, como piscar, ou qualquer outro movimento motor. Tudo que pairava em sua cabeça eram aquelas quatro palavras que a atingiram como um soco.</p>
<p>Passou-se um minuto. Path abaixou os olhos, ela não havia respondido nada ainda. Parou de acariciar a mão da menina e parecia colocar uma armadura para o que viria. Então Delilah redescobriu como usar seu corpo e suas funções, lançou seus braços ao pescoço do rapaz e beijou-o.</p>
<p>E como em todas as coisas pelas quais se espera por muito tempo, a intensidade dos lábios dele nos seus fora como poder tocar a lua. Todo o corpo da menina buscava-o e ele fazia o mesmo. Seus lábios eram comprimidos contra os dela e ele procurava estreirar ao máximo a distância que os separava, mesmo que ela já fosse bem curta. Pode sentir o toque suave dos dedos dela em sua nuca e colocou suas mãos na curva da cintura da moça, acariciando-a. Seu coração martelava tão alto que qualquer médico teria medo de um infarto.</p>
<p>Aos poucos, os dois pareciam parte de um só organismo. Ele tomou suas mãos e levantou-a pelos quadris. Colocou-a em seu colo no espaço curto que tinha, tendo-a o mais perto que poderia. Acariciou a nuca da moça e desprendeu completamente o cabelo dela, que caiu em ondas sobre seus ombros. Beijou-lhe o queixo e foi para o pescoço, aos poucos descendo. Delilah tinha alguns espasmos e ria-se, sentiu-o em todo seu corpo. &#8211; Isso é tão errado, estamos na porta da minha casa. Disse ao ouvindo dele, segurando-lhe pelos cabelos da nuca. Path riu. &#8211; Porque você não me solta então. Era a vez dela sorrir. Beijou-o novamente. Não parecia que o soltaria tão cedo.</p>
<p>Todo o corpo de Delilah fora tomado por uma profunda felicidade. Ela precisa registrar uma imagem de seu primeiro ato, daquele primeiro toque tão profundo do que ela julgara ser o mais intenso que teria em toda a vida. Permitiu-se abrir os olhos, rapidamente. Percebeu que ele também tinha seus olhos abertos. Então aconteceu.</p>
<p>Em meio a escuridão do carro e iluminado apenas pela luz de um poste bem próximo, os olhos do rapaz saltaram esverdeados em meio a escuridão, semi-cerrados. As mãos dele seguravam-na em seus joelhos e as dela estava contra o peito do rapaz. Aquilo tudo era familiar demais. Um pavor sem limites correu as veias da menina novamente. Todo seu corpo tremeu e um grito de profundo horror explodiu por sua garganta. Ela estava completamente desesperada.</p>
<p>Soltou-se das mãos do rapaz, abriu a porta do carro o mais rápido que pode e correu, correu para a entrada de sua casa. Ainda pode ouvir Patrick lhe chamar, ainda do carro, assim que bateu a porta, tremendo tanto que mal aguentava-se em pé, subiu as escadas numa torrente e entrou para o seu quarto. Lágrimas lhe vinheram aos olhos, ela sentiu um aperto na garganta. Escorregou pela porta, chorando completamente desesperada. Como ela não reconheceu aquele olhos antes? Ela os reconheceria em qualquer lugar.</p>
<p style="text-align:center;">•••</p>
<p style="text-align:left;"><strong>NOTA DA AUTORA:</strong> Prefiro não comentar absolutamente nada. Post final será postado amanhã. :*</p>
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